O Movimento

Entradas do Março 2008

STF & CÉLULAS-TRONCO

05/03/2008 · Deixe um comentário

Hoje assistiremos, mais uma vez inertes, o Supremo Tribunal Federal encenar um papel que legalmente não lhe cabe e realmente nos pertence, a decisão sobre a proibição de estudos científicos por dogmas de uma das mais nefastas instituições da história da humanidade, a Igreja Católica Apostólica Romana.

Adiantamos que, pra variar, provavelmente o “Ministro” (ou seria Cardeal?) Carlos Alberto Menezes Direito, ligado à Igreja Católica (à direita da Medusa…) e recentemente indicado pelo Presidente Lula ao STF, deverá frustar o julgamento da ação de inconstitucionalidade contra um artigo da Lei de Biossegurança, de autoria (criminal…) do ex-Procurador Geral da República (ou seria Conservador Geral da República?) Claudio Fonteles, pedindo vistas do processo com receio da tendência do tribunal de julgar a ação improcedente. Em terra de reacionários quem não é “Direito” vota contra!

Ministro Direito Menezes

A complexidade da ciência e as limitações do tribunal Por Ulisses Capozzoli em 5/3/2008

Exatos 200 anos depois da chegada da corte portuguesa ao Brasil – quando começamos a publicar jornais, livros e desenvolver pesquisa científica – o desafio por trás do julgamento que começa quarta-feira (5/3) em Brasília, envolvendo a Lei de Biossegurança, é uma espécie de avaliação da maturidade intelectual que conquistamos – ou não – ao longo desse período.O resultado do julgamento que o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) fará do artigo 5º da Lei de Biossegurança (nº. 11.105/05) deverá ser conhecido ainda esta semana, Ou eventualmente adiado para data indefinida – dependendo de expedientes formais como o pedido de vista do processo – e poderá ser entendido como uma espécie de gradação numa bússola teórica. Ela indicará o ponto em que estamos no contexto da moderna sociedade do conhecimento.

Os 11 ministros que compõem o STF – apesar da pompa e circunstância com que se fazem notar – estarão desempenhando um papel além de suas capacidades intelectuais. E isso, mais uma vez – por improvável que possa parecer – tem raízes históricas que remetem ao passado, anterior à chegada da corte do príncipe regente D. João.

Quando a coroa portuguesa ainda vetava a publicação de jornais, livros e a realização de pesquisa científica no Brasil, por motivos estratégicos, os filhos da gente de posse – que não era muita – seguia para Coimbra para estudar Direito. E, para o bem e o mal, contribuíram para fazer do Brasil uma cultura discursiva. O comportamento do próprio STF, em outros momentos, é evidência dessa contingência histórica.

Os ministros do STF, por várias razões, são homens de outra época.

Foram, como outros da geração a que pertencem, intelectualmente formados num ambiente pouco arejado pela cultura científica. E agora devem tomar uma decisão que envolve profunda visão de ciência.

Dias melhores

Este é um paradoxo da época em que vivemos e sobre o que os jornais não escreveram uma única linha nas últimas semanas.

Mas os ministros não estarão isolados nessa posição difícil de traduzir as potencialidades do presente para materializar um futuro menos miserável – intelectual e materialmente – que o passado histórico. Ao menos para a grande massa de gente.

A imprensa também estará em julgamento quanto a sua capacidade de sensibilizar ou não a sociedade para uma perspectiva da ciência, inclusive os magistrados, que freqüentemente se dizem refratários a essa influência – algo impossível, na medida em que são criaturas sociais e, nesta condição, participam de uma cultura onde a mídia deixa suas marcas.

Mesmo a ciência corre o risco de ser derrotada, dependendo da decisão dos magistrados. Neste caso a ciência está representada no corpo de seus pesquisadores que nestes dois séculos de investigação, para falar apenas do Brasil, amenizaram o sofrimento humano de existir em meio a tanta ameaça à vida.

Aqui é praticamente impossível não falar de Oswaldo Cruz – e a revolta da vacina – de Carlos Chagas, de Adolpho Lutz, de Vital Brazil, de Euriclydes de Jesus Zerbini e de muitos outros, apenas entre os mortos.

Se o artigo 5º da Lei de Biossegurança for rejeitado, de muitas maneiras a continuidade do trabalho desses homens, determinados a amenizar a sorte de seus contemporâneos e das gerações futuras, estará comprometida. Não terá – por eventual falta de discernimento intelectual por parte da corte suprema – tido continuidade.

Poderíamos acrescentar José Bonifácio de Andrada e Silva, que não foi médico, mas sábio e enxergou no futuro dias melhores que na época em que viveu. Reconhecido no exterior, José Bonifácio foi expatriado do Brasil. Como Mario Schenberg, impedido de ensinar seus alunos por ser maior que o espaço em que quiseram confiná-lo.

Exceção na regra

Se o STF acatar a inconstitucionalidade do artigo 5º da Lei de Biossegurança, como pretendeu o ex-procurador geral da República, Cláudio Fonteles, estaremos todos mergulhados no que o astrônomo e divulgador de ciência Carl Sagan enxergou em sua última obra, num “mundo assombrado pelos demônios”. E a ciência não será vista sequer “como uma vela no escuro”, como acrescentou seu editor brasileiro.

Em compensação, se o STF repelir a pretensão de Fonteles e assegurar a integridade da Lei de Biossegurança, só estaremos um pouco mais aliviados. Porque o desafio pela frente não será simples, tanto em termos de política científica, aplicação prática para as possibilidades das células-tronco e, especialmente, reflexão sobre o papel da ciência enquanto promessa de felicidade, para tomar de empréstimo a expressão de Stendhal.

Se o plenário do STF optar pelo futuro, em lugar de um retorno impossível ao passado, nada terá terminado ou começado do início. Apenas um ciclo de desafios não terá sido paralisado pelo obscurantismo mais comprometido com a memória que com a inteligência.

Para falar francamente – e isto os jornais deixaram claro nos últimos dias – o embate em torno da Lei de Biossegurança é na essência, por desconfortável e anacrônico que possa parecer, um enfrentamento entre ciência e religião.

Não que ciência e religião sejam necessariamente antagônicos – hipótese que muitos não suportam ouvir. Mas Dalai Lama, líder religioso, é um exemplo disso. A neurogênese – produção de novos neurônios, as células nervosas do cérebro – por ação de exercícios e meditação foi, por exemplo, um tema científico que ele se preocupou em incorporar aos seus conceitos tradicionais.

Talvez o Dalai Lama seja a exceção na regra do obscurantismo que unifica as religiões. Ainda assim, basta uma exceção para que uma regra não seja absoluta.

Quem estiver interessado na interação do Dalai Lama com as descobertas da ciência pode tirar prova disso no livro Diálogos com cientistas e sábios, a busca da unidade – que no Brasil foi editado pela Cultrix.

Aqui, uma lei que foi aprovada pelo Congresso e tem apoio de mais de 90% da população enfrenta oposição da Igreja Católica. Isso demonstra apenas a evolução da sociedade e a involução da igreja.

Abertura indispensável

Perda de tempo se engalfinhar em discussões sem sentido com padres, bispos e eventualmente o papa sobre a necessidade de permissão para pesquisas indispensáveis com células-tronco. Esse é um tema de ciência, não de religião. Especialmente as células embrionárias, que podem tomar diferentes formas e permitir a regeneração de órgãos que vão de um músculo, como o coração, a uma célula nervosa, no cérebro.

A Igreja Católica se opôs, por anos a fio, aos estudos de anatomia, sob a alegação de que o corpo era território do sagrado e não deveria ser profanado. Gente minimamente informada sabe avaliar o custo desse pensamento, anacrônico já no passado medieval.

A Igreja Católica, à época da proclamação da República, alardeou que, em relação ao casamento, Deus estava “sendo substituído por um escrivão de polícia”.

A Igreja Católica tem, sistemática e irresponsavelmente, se recusado a aceitar o uso de camisinhas como forma de prevenir a Aids, sob o argumento de que os jovens devem preservar a sexualidade para a reprodução. Ao mesmo tempo, desembolsa milhões de dólares mundo afora para silenciar e indenizar vítimas de violência sexual cometida por padres e bispos.

A Igreja Católica – numa discussão que vem da Antiguidade Grega – sustenta, sem nenhuma base empírica, porque se aventura num território que não pertence a ela, que a vida começa na concepção.

De onde tirou esse conceito nebuloso?

Talvez da mesma cartola com que assegurou, por séculos e séculos, que a Terra era o centro do Universo e em torno dela girava o Sol.

O assunto de quando a vida se inicia é extremamente complexo e não tem como ser abordado por dogmas. Afinal, o que é a vida? Mais de meio século depois da publicação do clássico de Erwin Schrödinger – O que é vida? – ainda não sabemos o que a vida é. E se desconhecemos a natureza da vida não temos como fixar exatamente quando ela começa.

Posição lúcida e abrangente até agora tem a geneticista Lygia Pereira, do Instituto de Biociência da USP, para quem o emprego de células-tronco, numa avaliação feita há algum tempo, é algo “suportável”. Com isso ela não nega a complexidade que a discussão abriga. Mas, ao mesmo tempo, não abre mão da abertura indispensável à investigação científica.

Homens do passado

Da brigada religiosa contra a Lei de Biossegurança participam homens de prestígio, como o advogado tributarista Ives Gandra Martins, ligado ao ultra conservador Opus Dei. Gente incauta pode se impressionar com essas adesões, mas um retorno à história revela as inconsistências.

Clavius, o famoso matemático encarregado por Gregório XIII da reforma do calendário, reagiu de forma surpreendente às imagens do telescópio de Galileu. Sustentou que Galileu tinha “ilusão de óptica” ao revelar que a Lua tem acidentes que a tornam tão irregular quanto a Terra.

Para Clavius, em malabarismo argumentativo, uma matéria translúcida cobria a Lua e a deixava tão esférica quanto uma bola cósmica de bilhar. Clavius foi bom matemático, mas também foi um dos que deixou que a memória se apossasse da inteligência.

Certamente não é nenhuma façanha intelectual sustentar que o papel das células-tronco embrionárias na reconstituição de órgãos é parte da medicina do futuro. Mas, em muitos casos, pode amenizar de imediato a dura sorte de milhões de pessoas – portadores de deficiências ou vítimas de doenças como Alzheimer, Parkinson e esclerose lateral amiotrófica – se as pesquisas não forem vetadas, como pretende a postura conservadora.

As células-tronco embrionárias – eventualmente até as adultas, ou ambas, mas isso só a continuidade das pesquisas pode demonstrar – são um estágio posterior à era dos transplantes, a substituição mecânica de órgãos danificados, no longo caminho – e sem perda da humanidade – para nos tornarmos os filhos mais jovens de Matusalém.

Possivelmente homens que estarão julgando a Lei de Biossegurança – e ou os defensores de uma ordem arcaica – não tenham se dado conta disso, ou confundam essa perspectiva com cenários de ficção.

Justamente por isso é que são homens do passado. Cegos para as cenas do futuro.

Categorias: Conjuntura nacional

Mulheres da Via Campesina ocupam área ilegal da Stora Enso

05/03/2008 · Deixe um comentário

Continuando no clima dos preparativos para as mobilizações do 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, comemoremos uma ação vitoriosa das companheiras da Via Campesina no Rio Grande do Sul, mostrando como se conquista soberania popular territorial por meio da luta dos movimentos sociais e não com movimentos diplomáticos/militares.

Mulheres da Via Campesina

Fonte: imprensa MST

Cerca de 900 mulheres da Via Campesina ocuparam a fazenda Tarumã, de 2.100 hectares, no município de Rosário do Sul, a aproximadamente 400 km de Porto Alegre, na manhã desta terça-feira (04/03), quando iniciaram o corte de eucaliptos e o plantio de árvores nativas em área que pertence à empresa sueco finlandesa Stora Enso.

A transnacional estrangeira, pela legislação brasileira (lei nº 6.634 de 1979; e o artigo 20, parágrafo 2 da Constituição Federal), não pode adquirir terras em uma faixa de 150 km da fronteira do Brasil com outros países. No entanto, a transnacional vem comprando dezenas de áreas no Rio Grande do Sul, próximo da fronteira com Uruguai onde a empresa também tem plantios. A meta é formar uma base florestal de mais de 100 mil hectares e implantar fábricas na região.

Em nota distribuída à imprensa as mulheres declaram o seguinte: “Nossa ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto verde na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra o bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está cada vez mais sem terra para produzir alimentos. Estamos arrancando o que ruim e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho”.

Multinacional age ilegalmente

A Stora Enso adquiriu as terras em nome da empresa Derflin, que é o braço da multinacional para produzir matérias-primas. Como a Derflin também é estrangeira não conseguiu legalizar as áreas. Por isso, a Stora Enso criou uma empresa laranja: a agropecuária Azenglever, de propriedade de dois brasileiros: João Fernando Borges e Otávio Pontes (diretor florestal e vice-presidente da Stora Enso para a América Latina, respectivamente). Eles são atualmente os maiores latifundiários do RS. Leia sobre o caso no especial 8 de Março.

Cerca de 50 fazendas, totalizando mais de 45 mil hectares, já estão registradas em nome da Agropecuária Azenglever. Entre essas áreas, está a Tarumã, ocupada pelas mulheres camponesas. Há um inquérito na Polícia Federal responsável para investigar o crime, mas a empresa continua agindo livremente.

Leia, a seguir, a pauta de reivindicações das mulheres no manifesto das mulheres da Via Campesina.

Manifesto das Mulheres da Via Campesina

Nós mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul estamos mais uma vez mobilizadas, nesta semana do 8 de março, para intensificar nossa luta contra o agronegócio e em defesa da soberania alimentar da população brasileira.

A soberania alimentar é o direito dos povos de produzir sua comida respeitando a biodiversidade e os hábitos culturais de cada região. Hoje em nosso país as riquezas naturais estão sob domínio das empresas multinacionais do agronegócio e a população tem cada vez menos acesso à terra, à água e aos alimentos.

Nós mulheres somos as primeiras a serem expulsas das atividades agrícolas nas áreas onde avança o agronegócio. Nosso trabalho é importante em uma agricultura camponesa porque sabemos produzir alimentos. Mas as empresas do agronegócio não estão preocupadas em produzir comida, só em produzir lucro transformando o campo em desertos verdes (de eucalipto, de soja, de cana). Um dos desertos que mais cresce em nosso Estado é o de eucalipto para celulose.

As empresas de celulose estão fechando fábricas nos Estados Unidos e na Europa e vindo para a América Latina. Aqui encontram muita terra, água, clima favorável e governos dispostos a atender seus interesses. Mais de 90% da produção de celulose do Brasil é para exportação. Assim, reduzimos a produção de comida, destruímos a biodiversidade, aumentamos a pobreza e a desigualdade para atender a demanda de lucro das empresas e um estilo de vida consumista nos países ricos. Esse é o papel horroroso que o Brasil cumpre hoje no mundo.

Uma das empresas responsáveis pelo avanço do deserto verde no Rio Grande do Sul é a Stora Enso, multinacional sueco-finlandesa. Pela lei brasileira estrangeiros não podem ter terra em uma faixa de 150 km da fronteira do Brasil com outros países. Acontece que a Stora Enso já tem milhares de hectares plantados no Uruguai e é exatamente próximo da fronteira gaúcha com este país que essa gigante do ramo de papel e celulose quer formar uma base florestal de mais de 100 mil hectares.

Inicialmente a Stora Enso tentou comprar as terras em nome da empresa Derflin, o braço da multinacional para produção de matéria prima, que por ser estrangeira não conseguiu legalizar as áreas.

Para viabilizar sua implantação a multinacional criou uma empresa laranja que está comprando as terras em seu nome: a agropecuária Azenglever Ltda, cujos donos são dois importantes funcionários da Stora Enso. Eles se tornaram os maiores latifundiários do estado, sendo “proprietários” de mais de 45 mil hectares. Essa operação ilegal é de conhecimento dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, do Incra, da Polícia Federal, mas nada de concreto foi feito para impedir o avanço do deserto verde. Decidimos então romper o silêncio que paira sobre esse crime.

Nossa ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto verde na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra o bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está cada vez mais sem terras para produzir alimentos. Estamos arrancando o que é ruim e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho.

Alguns parlamentares gaúchos ao invés de combaterem a invasão dos estrangeiros estão propondo reduzir a Faixa de Fronteira para legalizar o crime. Usam o argumento de que a faixa de 150 km impede o desenvolvimento econômico dos municípios. Mas isso é uma grande mentira. Todos sabem que a Metade Sul não se desenvolve por causa do latifúndio e das monoculturas. Tanto que a faixa de fronteira também vigora na metade norte do estado e nessa região a economia é dinâmica.

As empresas de celulose prometem gerar emprego e desenvolvimento. Mas onde elas se instalam só aumenta o êxodo rural e a pobreza. Os trabalhos que geram são temporários, sem direitos trabalhistas, em condições precárias. Um exemplo é a Fazenda Tarumã em Rosário do Sul, de 2,1 mil hectares onde a Stora Enso gera somente dois empregos permanentes e alguns empregos temporários.

Se essa área for destinada para a reforma agrária podem ser assentadas 100 famílias gerando no mínimo 300 empregos diretos permanentes. Portanto, a Reforma Agrária e a Agricultura Camponesa é que são a melhor alternativa para preservar a biodiversidade, gerar trabalho e renda para a população do campo e alimentos saudáveis e mais baratos para quem mora nas cidades.

O projeto que tramita no Senado propondo reduzir a Faixa de Fronteira brasileira não inclui a Amazônia porque entende que isso seria uma ameaça para a floresta. Ou seja, admite que a redução da Faixa de Fronteira irá aumentar a destruição ambiental. Para nós todos os biomas brasileiros são importantes e entendemos que o Cerrado e o Pampa também precisam ser preservados.

Nós mulheres da Via Campesina reivindicamos das autoridades brasileiras:

- Anulação das compras de terra feitas ilegalmente pela Stora Enso na faixa de fronteira e expropriação dessas áreas para a reforma agrária. Somente nos 45 mil hectares que estão em nome da empresa laranja, a Agropecuária Azenglever daria para assentar cerca de 2 mil famílias, gerando 6 mil empregos diretos. Atualmente 2.500 famílias estão acampadas no Rio Grande do Sul e o Incra alega não ter terras para fazer assentamento.

- Retirada dos projetos no Senado e na Câmara Federal que propõem a redução da Faixa de Fronteira. Essa medida só vai beneficiar empresas como a Stora Enso que querem se apropriar das terras para transformá-las em deserto verde, destruir nossas riquezas naturais como o aqüífero guarani e o bioma Pampa. Para o povo gaúcho essa redução da faixa de fronteira só vai provocar aumento do êxodo rural, do desemprego, da destruição ambiental e o fim soberania alimentar pois vai faltar terra para produzir alimentos.

Sabemos que por lutar contra o deserto verde podemos sofrer a repressão do governo gaúcho. É prática desse governo tratar os movimentos sociais como criminosos e proteger empresas que cometem crimes contra a sociedade. Vamos resistir. Nossa luta é em defesa da vida das pessoas e do meio ambiente. Estamos aqui em 900 mulheres, mas carregamos conosco a energia e a coragem das milhares de camponesas que em todo o mundo lutam contra a mercantilização das riquezas naturais e da vida. Como dizia a companheira sem terra Roseli Nunes, assassinada covardemente em março de 1987 aqui no Rio Grande do Sul, “preferimos morrer lutando do que morrer de fome!”.

Mulheres da Via Campesina do Rio Grande do Sul

Brasil, 04 de março de 2008.

Categorias: Conjuntura nacional · Ecossocialismo · Feminismo

Saudades de Rosa

05/03/2008 · Deixe um comentário

Rosa Luxemburgo

Hoje, 5 de março, lembramos do aniversário da companheira Rosa Luxemburgo (em polonês Róża Luksemburg), e no clima dos preparativos para as mobilizações e debates do 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, disponibilizamos a obra “Reforma ou Revolução” de 1900, de uma das principais autoras marxistas da história e ícone da luta feminista e socialista.

Epitáfio de Rosa Luxemburgo:

Aqui jaz
Rosa Luxemburgo,
judia da Polônia,
vanguarda dos operários alemães,
morta por ordem dos opressores.
Oprimidos,
enterrai vossas desavenças!
Bertolt Brecht

Categorias: Feminismo · Socialismo em debate

Tensões diplomáticas na América Latina

05/03/2008 · Deixe um comentário

Neste período de tensões diplomáticas na América do Sul, inauguramos nosso espaço com uma seleção de notícias e artigos sobre os conflitos que envolvem os governos colombiano, equatoriano e venezuelano, bem como os povos desses três países irmãos e o conflito armado que perdura por mais de 40 anos entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército Popular (FARC-EP), o Governo colombiano, o império estadunidense, seu mentor, e os grupos para-militares. Lembrando também da previsão/súplica do inesquecível José Carlos Mariátegui, companheiro peruano que previa a união da América Latina.

Endereços:

primeiro um breve histórico das FARC-EP;

o comunicado oficial das FARC-EP sobre a ação militar que matou os Comandantes Raul Reyes e Júlian Conrado, entre outros;

carta aberta do Comandante Raul Reyes de setembro de 2007;

aqui estão os comunicados oficiais do Governo colombiano sobre os eventos em questão;

aqui agências de notícias independentes da Colômbia CEMIC e Desde Abajo;

aqui as análises políticas do Governo equatoriano sobre os eventos em questão;

já do lado venezuelano, estão as declarações diplomáticas do Governo bolivariano;

aqui as declarações insosas dos Secretários Gerais da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Organização das Nações Unidas (ONU);

e para finalizar, recomendamos o acompanhamento da cobertura dos eventos através dos artigos na agência de notícias Carta Maior e Perspectiva Internacional.
José Carlos Mariátegui

La Unidad de la América Indo-Española

José Carlos Mariátegui


Escrito: Em 1924.
Primera edição: Em Variedades, Lima, 6 de dezembro de 1924.
Preparado para a rede mundial: MIA, maio de 2000.


Los pueblos de la América española se mueven, en una misma dirección. La solidaridad de sus destinos históricos no es una ilusión de la literatura americanista. Estos pueblos, realmente, no sólo son hermanos en la retórica sino también en la historia. Proceden de una matriz única. La conquista española, destruyendo las culturas y las agrupaciones autóctonas, uniformó la fisonomía étnica, política y moral de la América Hispana. Los métodos de colonización de los españoles solidarizaron la suerte de sus colonias. Los conquistadores impusieron a las poblaciones indígenas su religión y su feudalidad. La sangre española se mezcló con la sangre india. Se crearon, así, núcleos de población criolla, gérmenes de futuras nacionalidades. Luego, idénticas ideas y emociones agitaron a las colonias contra España. El proceso de formación de los pueblos indo-españoles tuvo, en suma, una trayectoria uniforme.La generación libertadora sintió intensamente la unidad sudamericana. Opuso a España un frente único continental. Sus caudillos obedecieron no un ideal nacionalista, sino un ideal americanista. Esta actitud correspondía a una necesidad histórica. Además, no podía haber nacionalismo donde no había aún nacionalidades. La revolución no era un movimiento de las poblaciones indígenas. Era un movimiento de las poblaciones criollas, en las cuales los reflejos de la Revolución Francesa había generado un humor revolucionario.Mas las generaciones siguientes no continuaron por la misma vía. Emancipadas de España, las antiguas colonias quedaron bajo la presión de las necesidades de un trabajo de formación nacional. El ideal americanista, superior a la realidad contingente, fue abandonado. La revoluición de la independencia había sido un gran acto romántico; sus conductores y animadores, hombres de excepción. El idealismo de esa gesta y de esos hombres había podido elevarse a una altura inasequible a gestas y hombres menos románticos. Pleitos absurdos y guerras criminales desgarraron la unidad de la América Ido-española. Acontecía, al mismo tiempo, que unos pueblos se desarrollaban con más seguridad y velocidad que otros. Los más próximos a Europa fueron fucundados por sus inmigraciones. Se beneficiaron de un mayor contacto con la civilización occidental. Los países hispano-americanos empezaron así a diferenciarse.Presentemente, mientras unas naciones han liquidado sus problemaselementales, otras no han progresado mucho en su solución. Mientras unas naciones han llegado a una regular organización democrática, en otras subsisten hasta ahora densos residuos de feudalidad. El proceso del desarrollo de todas las naciones sigue la misma dirección; pero en unas se cumple más rápidamente que en otras.Pero lo que separa y aísla a los países hispanoamericanos, no es esta diversidad de horario político. Es la imposibilidad de que entre naciones incompletamente formadas, entre naciones apenas bosquejadas en su mayoría, se concerte y articule un sistema o un conglomerado internacional. En la historia, la comuna precede a la nación. La nación precede a toda sociedad de naciones.Aparece como una causa específica de dispersión la insignificancia de los vínculos económicos hispano-americanos. Entre estos países no existe casi comercio, no existe casi intercambio. Todos ellos son, más o menos, productores de materias primas y de géneros alimenticios que envían a Europa y Estados Unidos, de donde reciben, en cambio, máquinas, manufacturas, etcétera. Todos tienen una economía parecida, un tráfico análogo. Son países agrícolas. Comercian, por tanto, con países industriales. Entre los pueblos hispanoamericanos no hay cooperación; algunas veces, por el contrario, hay concurrencia. No se necesita, no se complementan, no se buscan unos a otros. Funcionan económicamente como colonias de la industria y la finanza europea y norteamericana.Por muy escazo crédito que se conceda a la concepción materialista de la historia, no se puede desconocer que las relaciones económicas son el principal agente de la comunicación y la articulación de los pueblos. Puede ser que el hecho económico no sea anterior ni superior al hecho político. Pero, al menos, ambos son consustanciales y solidarios. La historia moderna lo enseña a cada paso. (A la unidad germana se llegó a través del zollverein. El sistema aduanero que canceló los confines entre los Estados alemanes, fue el motor de esa unidad que la derrota, la post-guerra y las maniobras del poincarismo no han conseguido fracturar. Austria-Hungría, no obtante, la heterogeneidad de su contenido étnico, constituía, también, en sus últimos años, un organismo económico. Las naciones que el tratado de paz ha dividido de Austria-Hungría resultan un poco artificiales, malgrado la evidente autonomía de sus raíces étnicas e históricas. Dentro del imperio austro-húngaro la convivencia había concluido por soldarlas económicamente. El tratado de paz les ha dado autonomía política pero no ha podido darles autonomía económica. Esas naciones han tenido que buscar, mediante pactos aduaneros, una restauración parcial de su funcionamiento unitario. Finalmente, la política de cooperación y asistencia internacionales, que se intenta actuar en Europa, nace de la constatación de la interdependencia económicamente de las naciones europeas. No propulsa esa política un abstracto ideal pacifista sino un concreto interés económico. Los problemas de la paz han demostrado la unidad económica de Europa. La unidad moral, la unidad cultural de Europa no son menos evidentes; pero sí menos válidas para inducir a Europa a pacificarse.)

Es cierto que estas jóvenes formaciones nacionales se encuentran desparramadas en un continente inmenso. Pero, la economía es, en nuestro tiempo, más poderosa que el espacio. Sus hilos, sus nervios, suprimen o anulan las distancias. La exigüidad de las comunicaciones y los transportes es, en América indo-española, una consecuencia de la exigüidad de las relaciones económicas. No se tiende un ferrocarril para satisfacer una necesidad del espíritu y de la cultura.

La América española se presenta prácticamente fraccionada, escinda, balcanizada (1). Sin embargo, su unidad no es una utopía, no es una abstracción. Los hombres que hacen la historia hispano-americana no son diversos. Entre el criollo del Perú y el criollo argentino no existe diferencia sensible. El argentino es más optimista, más afirmativo que el peruano, pero uno y otro son irreligiosos y sensuales. hay, entre uno y otro, diferencias de matiz más que de color.

De una comarca de la América española a otra comarca varían las cosas, varía el paisaje; pero no varía el hombre. Y el sujeto de la historia es, ante todo, el hombre. La economía, la política, la religión, son formas de la realidad humana. Su historia es, en su esencia, la historia del hombre.

La identidad del hombre hispano-americano encuentra una expresión en la vida intelectual. Las mismas ideas, los mismos sentimientos circulan por toda la América indo-española. Toda fuerte personalidad intelectual influye en la cultura continental. Sarmiento, Martí, Montalvo, no pertenecen exclusivamente a sus respectivas patrias; pertenecen a Hispano- América. Lo mismo que de stos pensadores se puede decir de Darío, Lugones, Silva, Nervo, Chocano y otros poetas. Rubén Darío está presente en toda la literatura hispanoamericana. Actualmente, el pensamiento de Vasconcelos y de Ingenieros son los maestros de una entera generación de nuestra América. Son dos directores de su mentalidad.

Es absurdo y presuntuoso hablar de una cultura propia y genuinamente americana en germinación, en elaboración. Lo único evidente es que una literatura vigorosa refleja ya la mentalidad y el humor hispano-americanos. Esta literatura – poesía, novela, crítica, sociología, historia, filosofía – no vincula todavía a los pueblos; pero vincula, aunque no sea sino parcial y débilmente, a las categorías intelectuales.

Nuestro tiempo, finalmente, ha creado una comunicación más viva y más extensa: la que ha establecido entre las juventudes hispano-americanas la emoción revolucionaria. Más bien espiritual que intelectual, esta comunicación recuerda la que concertó a la generación de la independencia. Ahora como entonces la emoción revolucionaria da unidad a la América indo-española. Los intereses burgueses son concurrentes o rivales; los intereses de las masas no. Con la Revolución Mexicana, con su suerte, con su ideario, con sus hombres, se sienten solidarios todos los hombres nuevos de América. Los brindis pacatos de la diplomacia no unirán a estos pueblos. Los unirán en el porvenir, los votos históricos de las muchedumbres.

Categorias: Conjuntura regional