O Movimento

Via Campesina: trabahadoras e trabalhadores do Mundo unidos!

11/03/2008 · 1 Comentário

Quando Karl Marx e Friedrich Engels clamaram: “Trabalhadores do mundo, uni-vos!”. Talvez tivessem em mente algo parecido com as mobilizações da Via Campesina, exatos 160 anos depois do lançamento do Manifesto do Partido Comunista.

A Via Campesina, realiza manifestações em todo o Mundo, e no Brasil, principalmente através do Moviento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) literalmente pára a roda do capital com ocupações, bloqueios e manifestações.

Desde a semana passada ocorre a Jornada de Lutas que celebra o Dia Internacional da Mulher. Foram registrados atos em 17 estados brasileiros, confiram:

em São Paulo contra a Monsanto;

no Distrito Federal,

Paraná e

Rio de Janeiro contra a Syngenta;

no Rio Grande do Sul contra a Stora Enso;

em Pernambuco contra a monocultura da cana;

em Rondônia,

Mato Grosso,

Alagoas e

Pará com pautas estaduais;

em Minas Gerais e

Espírito Santo contra a Vale;

na Bahia ocuparam a Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária;

no Maranhão contra a Vale;

no Mato Grosso do Sul contra a Cargill/Monsanto;

no Ceará contra as empresas transnacionais;

em Santa Catarina contra a Agroeste/Monsanto;

Rio Grande do Norte ocuparam a governadoria do estado.

Confira a cobertura da assessoria de imprensa do MST.

Com relação as companheiras da Via Campesina que ocuparam as terras ilegais da transnacional Stora Enso, divulgamos aqui a violência e a censura com as quais sofreu o movimento por parte do governo Yeda Crusius.

Eduardo Seidl

(manifestante da Via Campesina sendo atendida após agressões, foto: Eduardo Seidl)

A transnacional Stora Enso autorizada por um interdito proibitório, obteve a desocupação de uma de suas fazendas, no Rio Grande do Sul, contra as mulheres da Via Campesina que as ocupavam em protesto contra a ilegalidade do uso e a exploração da terra no Estado.

A “autoridade policial” repressora, declarou que “delinqüente é delinqüente.” O protesto das companheiras baseou-se na defesa da vida, do meio-ambiente e da segurança nacional garantida pela faixa de fronteira estabelecida na Constituição Federal (arts. 20 § 2º e 91, § 1º inc. III). Essa faixa foi violada pela Stora Enso, através de empresas brasileiras “laranjas” para burlar a proibição constitucional. Confira reportagem da assessoria de imprensa do MST com documentos que comprovam as acusações.

O meio-ambiente, como o art. 225 da Constituição Federal, é “bem de uso comum do povo” legitimando qualquer pessoa a defendê-lo, inclusive com o uso da própria força, conforme o artigo 188, inciso I do Código Civil, pois não são atos ilícitos “a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão à pessoa, a fim de remover perigo iminente.”

A repersussão das truculências perpetuadas pelo governo do Rio Grande do Sul, capataz dos interesses do capital, extrapolaram as fronteiras do estado repercutindo internacionalmente. Inclusive com manifestações em reação aos crimes contra os brasileiros.

(Maraísa Talaska Porto denunciando no Senado as agressões cometidas pela brigada militar durante a desocupação, foto: Roosevelt Pinheiro/AgBr)
Durante a primeira audiência pública da Subcomissão Permanente de Defesa da Mulher no Senado, uma das iniciativas em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, foram denunciadas as violências sofridas pelas camponesas, como tiros de balas de borracha e estilhaços de bombas.Entidades nacionais e internacionais de Direitos Humanos publicaram nota condenando a ação policial, “A ocupação da Fazenda Tarumã por parte da Via Campesina em Rosário do Sul, município localizado a 80 quilômetros da fronteira com o Uruguai, foi completamente legítima para chamar a atenção das autoridades para as ilegalidades cometidas pela empresa finlandesa Stora Enso.

Esta multinacional, conforme apontam o Ministério Público Federal e o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) daquele estado, desrespeita e burla a legislação brasileira ao adquirir terras na faixa de fronteira do País sem a devida autorização do Conselho Nacional de Defesa. Ademais, também utiliza artifícios espúrios, como a criação de uma empresa que serve de “laranja”, para garantir os seus objetivos.”

Confira reportagem da assessoria de imprensa do MST sobre a nota.

O motivo da defesa dos interesses do capital por parte da governadora Yeda Crusius reside num dos principais problemas do sistema político brasileiro, o financiamento privado de campanhas eleitorais, uma aberração da pseudo-democracia nacional.

As papeleiras doaram mais de de meio milhão de reais para a última campanha de Yeda. A divulgação das doações está disponível no sítio do Tribunal Superior Eleitoral (www.tse.gov.br). A Stora Enso e outras papeleiras como a Aracruz Celulose e Votorantin Papel e Celulose, doaram um total de R$ 506.557,45 à campanha da candidata Yeda Crusius, em de 2006.

Vejam os valores das doações das papeleiras para a governadora:

ARACRUZ CELUL. S/A. 42157511003934 18/09/2006 1.000,00 Descrição
das doações relativas à comercialização
ARACRUZ CELULOSE S. A. 42157511003934 18/08/2006 11.954,72
Recursos de pessoas jurídicas
ARACRUZ CELULOSE S/A. 42157511003934 05/10/2006 16.902,12 Recursos
de pessoas jurídicas
ARACRUZ CELULOSE S/A. 42157511003934 11/10/2006 51.700,61 Recursos
de pessoas jurídicas
ARACRUZ CELULOSE S/A. 42157511003934 20/10/2006 200.000,00
Recursos de pessoas jurídicas
STORA ENSO BRASIL LTDA. 02424298000192 16/10/2006 24.000,00
Recursos de pessoas jurídicas
VOTORANTIN PAPEL E CELULOSE LTDA. 60643228000121 23/11/2006
200.000,00 Recursos de pessoas jurídicas

Solicitado pelo Procurador Regional da República Domingos Sávio Dresh da Silveira, a Procuradoria da República do Rio Grande do Sul investiga a aquisição de 46 mil hectares de terras para a plantação de eucalipto naregião de fronteira. O Procurador acusa a Stora Enso de constituir empresa com sócios brasileiros “laranjas” para burlar a lei. A transnacional usaria a Azenglever para tal, caracterizando formação de quadrilha e falsidade idelógica, além de crime contra a soberania nacional.

Confira matéria excepcional da Ecoagência sobre o assunto.

Como reação a Associação de Amigos dos Sem Terra organizou um protesto na sede de Stora Enso em Helsinki, capital da Finlândia, condenando a ação policial contra camponesas do Rio Grande do Sul e acusando a transnacional de envolvimento indireto com os crimes contra as mulheres e crianças de MST.

Foi exigido também a retirada da empresa do Brasil, por essa estar agravando a situação dos conflitos de terra no país. Valendo lembrar que o Governo Finlandês detem 40% do capital da Stora Enso. Agora imagnem se a

Amigos dos Sem Terra na Finlândia condenam as operações ilegais de Stora Enso para conquistar terras no Rio Grande de Sul, e acusam empresa de agravar o conflito pela terra no Brasil.A associação também insistiu com o governo Finlandês que tome as medidas necessárias para pressionar empresa Stora Enso a retirar-se das atividades que prejudicam os direitos dos camponeses no Brasil, ou em qualquer outro pais. O governo Finlandês tem controle de 40 % da Stora Enso. Se isso ocorre num estado, avalie o tamahoda bancada do capital no Congresso Nacional, sim, sim, trata-se da maioria, sem dúvida.

Agora imaginem se a Petrobrás fizesse metade do que a Stora Enso na Europa… no mínimo o Brasil teria de desculpar-se perante a União Européia e torcer para não sofrer retaliações da Organização Mundial do Comércio (OMC)… durma-se com um barulho desses!

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